Página 42 - Aula de Física ALTA_FINAL FORTE

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Planejar sequências de ensino a partir desse referencial exige uma análise
epistemológica acerca do conhecimento a ser ensinado e a identificação
dos conceitos estruturadores do pensamento. Em seguida, identifica-se o
conceito-chave e os outros que serão auxiliares. É necessário, ainda, que se
efetue um recorte sobre a parte do campo conceitual que será, efetivamen-
te, trabalhada. Por fim, constrói-se a sequência lógica de apresentação dos
conceitos. Essa sequência é a que servirá de base para a apresentação das
situações de aprendizagem. Uma amostra dessa atividade foi apresentada
pelos autores desse trabalho em CARVALHO, JR e AGUIAR, JR (2008).
Considerações Finais
Apesar de ter sido concebida no âmbito da educação matemática, a Teoria
dos Campos Conceituais mostra-se como uma poderosa ferramenta para
que sejam possíveis planejamentos de intervenção didática e a análise das
progressões dos estudantes.
É, no campo teórico, uma forma de articular a Epistemologia Genética de
Piaget com a Psicologia Sóciocultural de Vigotski, os dois grandes construtos
teóricos na área da cognição humana. Se a interpretação padrão dessas duas
teorias as coloca em oposição, a teoria apresentada por Vergnaud é ummar-
co a partir do qual as pretensas incompatibilidades podem ser exploradas,
problematizadas e harmonizadas em um todo teórico rigoroso e frutífero.
Em comunicação pessoal entre Gérard Vergnaud e os autores desse traba-
lho, ele mostrou-se defensor da articulação entre Piaget e Vigotski, identifi-
cando que várias das supostas oposições são decorrentes das críticas que
Vigotski apresentou à questão da primeira interpretação dada por Piaget à
fala egocêntrica, reintrerpretadas por Vigotski como elo genético entre a
fala externa e a fala interna, reguladora do pensamento (VIGOTSKI, 2009).
Essas críticas foram endereçadas aos primeiros trabalhos feitos por Piaget,
visto que Vigotski faleceu muito cedo e não tomou conhecimento dos tra-
balhos posteriores do epistemólogo suíço. O próprio Piaget lamentou esse
fato, afirmando que poderia responder às críticas de forma muito mais pro-
funda a partir dos seus estudos posteriores.
Apresentamos, neste artigo, alguns aspectos teóricos que eram fundamen-
tais para a apropriação da TCC, que pretendemos utilizar emnossa investiga-
ção sobre a formação do conceito de tempo em domínios de física clássica
e relativística. Tais reflexões estão longe de esgotar o tema e a profundidade
das questões envolvidas na TCC.
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