Página 39 - Aula de Física ALTA_FINAL FORTE

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AULA DE FÍSICA
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Do Planejamento à Avaliação
Apresentamos a parte final da entrevista para ilustrar seus desdobramentos.
PESQUISADOR:
Então, se eu esfriar em cima, vai acontecer a mesma coisa?
ANA PAULA:
Se eu esfriar em cima? Não. Desce.
PESQUISADOR:
((coloca água fria na parte superior e o líquido sobe)). Tudo
bem, quando você segurou em baixo, transferiu calor. E aí?
ANA PAULA:
Como essa parte aqui ((a de cima)) está mais fria do que essa ((a
de baixo)), faz o líquido subir. Porque quando a minha mão estava em baixo,
a parte de cima estava mais fria.
PESQUISADOR:
Mas o que motiva isso? Só de falar assim: um está mais quen-
te que o outro; então, a tendência é subir, está faltando a explicação do
fenômeno, né? Porque essa diferença de temperatura está associada à mo-
vimentação desse líquido?
ANA PAULA:
Tem alguma coisa a ver com pressão, ou com o movimento das
moléculas.
PESQUISADOR:
Pressão de quem?
ANA PAULA:
Do líquido... do ar que tá aqui dentro sobre o líquido.
PESQUISADOR:
Então, quando você segura aqui ((embaixo)), onde a pressão
é maior?
ANA PAULA:
A pressão é maior aqui ((embaixo)) e o líquido vai subir pro lugar
onde tem menos pressão.
PESQUISADOR:
E se eu esfriar em cima?
Ana Paula: A menor pressão é aqui ((em cima)), aí, ele vai subir também. É
isso!
A correta explicação é construída a partir da interação entre a estudante, o
experimento e o pesquisador. Houve alteração no repertório cognitivo de
Ana Paula e essa alteração foi obtida a partir da mediação do adulto.
2.1 – Invariantes Operatórios
Frente a determinada situação, um sujeito necessita organizar seus esque-
mas, selecionar os conceitos pertinentes, planejar sua ação e propor res-
postas. Esse processo é complexo uma vez que exige a articulação entre
diversos recursos presentes no repertório cognitivo do sujeito.
Os conceitos-em-ação e os teoremas-em-ação são, segundo a formulação
de Vergnaud, o que permitem a um dado sujeito agir em situação.
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