Página 36 - Aula de Física ALTA_FINAL FORTE

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A investigação conduzida nesse sentido alicerça-se no domínio microge-
nético (WERSTCH, 1985), visto que está orientada na busca pelas mudanças
qualitativas ocorridas a partir de intervenções em sala de aula.
No contexto da pesquisa em Ensino de Física, é possível acompanhar as
alterações produzidas nos invariantes operatórios utilizados pelos estudan-
tes em ação no sentido de mapear o nível das aquisições conceituais. Es-
sas alterações cumprem um papel de sucessivas aproximações frente a um
dado conceito científico. Portanto, a história das alterações dos invariantes
operatórios pode revelar importantes elementos para a construção de uma
explicação para a internalização (VIGOTSKI, 2009).
O processo de internalização, na ótica de Vigotski, é uma reconstrução inter-
na de uma operação externa. Nesse processo, uma série de transformações
deve ocorrer, no sentido de se conduzir uma passagem do plano interpsico-
lógico para o intrapsicológico. Essa transformação não é direta, mas media-
da pelos instrumentos culturais e pela ação do outro. O caminho pelo qual
essa transformação ocorre, quais são as possíveis trajetórias psicológicas pe-
las quais é possível haver a internalização e o que pode ser facilitador ou di-
ficultador desse processo são perguntas pertinentes que não encontramos
respostas satisfatórias no âmago da Psicologia Sóciocultural.
Parece-nos que a construção de uma explicação coerente para o mecanis-
mo da internalização pode ocorrer no âmbito da TCC. Para essa explicação
há um necessário retorno ao modelo piagetiano da Equilibração (PIAGET,
1985) para que este possa ser aplicado ao estudo da Zona de Desenvolvi-
mento Proximal (VIGOTSKI, 2009). Essa crença está alicerçada no fato de que:
“Se a equilibração é uma explicação do modo pelo qual o sujeito e o objeto
de conhecimento são construídos, e se a formação dos conhecimentos pode
ser interpretada como internalização dos instrumentos culturais, trata-se de
articular os níveis de explicação, e não de completá-los entre si. Em outras
palavras, o modo pelo qual a sociedade expõe os indivíduos aos objetos
de conhecimento e a forma pela qual os instrumentos culturais orientam a
atividade cognitiva não podem simplesmente ser adicionados aos meca-
nismos epistemológicos mencionados. É preciso pesquisar para determinar
como tais condições especificam o funcionamento do processo cognitivo,
ou como este último ocorre nas mesmas.” (CASTORINA, 2008, p. 42)
Quando se admite que os teoremas-em-ação e os conceitos-em-ação fa-
zem parte dos conhecimentos contidos nos esquemas, é possível compre-
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