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AULA DE FÍSICA
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Do Planejamento à Avaliação
campos de validade. São eles: saber do aluno (conceitos prévios), científico,
escolar e social. Ao se estabelecer um diálogo permanente e dinâmico, o
ensino de Física se faz, também, libertador e transgressor, porque questio-
nador. A sala de aula passa a assumir uma conotação de fórum de debates,
em que o choque entre os saberes citados não produz sobreposições ou
superposições, mas, sim, desequilibrações, assimilações e acomodações. A
aprendizagem pode, assim, ser significativa e contextualizada.
O trabalho de construção de conceitos valoriza os conhecimentos prévios
dos alunos e parte deles para a construção de saberes mais sistematizados.
Dessa forma, torna-se necessário um rigoroso diagnóstico para que o pro-
fessor saiba de que ponto deve partir para conduzir a sua prática educativa
em uma determinada turma. Pelo fato de se valer da realidade dos alunos,
é impossível se estabelecer, nessa concepção, um roteiro padronizado para
a aquisição de conhecimento pelos alunos. No entanto, é perfeitamente
possível que todos os alunos, mesmo que através de caminhos diferentes,
consigam construções dos mesmos conceitos, desenvolvendo, portanto,
as mesmas competências e habilidades (CARVALHO JR, 2009). Trilhando ca-
minhos específicos que propiciem transposições conceituais nos alunos, o
professor estará liderando uma revolução conceitual.
“Muitos pesquisadores em Ensino de Ciências acreditam que a apren-
dizagem consistente de novos conteúdos requer mudanças conceituais
similares àquelas observadas nas revoluções científicas. Tais mudanças
conceituais corresponderiam a um processo em que o indivíduo abando-
na concepções inadequadas do ponto de vista científico e as substitui por
concepções cientificamente aceitáveis” (BASTOS,1998,p. 13).
Saber Física passa a significar ter instrumentos conceituais para dialogar
com o mundo em vários níveis, que vão desde um melhor entendimento
de notícias científicas veiculadas pela mídia, até a capacidade de prever re-
sultados de situações experimentais complexas, passando pela emissão de
juízos de valor a respeito da utilização de uma dada tecnologia que pode
agredir o meio ambiente e causar danos à humanidade. Nota-se, assim,
que esta maneira de trabalhar a Física representa uma contribuição para a
construção da cidadania, ajudando a formar pessoas críticas, reflexivas, com
embasamento técnico para se posicionar e questionar posicionamentos di-
versos. Mais uma vez, bebemos na fonte de Paulo Freire:
O educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática
docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua
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