Página 20 - Aula de Física ALTA_FINAL FORTE

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de uma suposta essencialidade de se aprender certas coisas, que na maioria
servem apenas para brutalizar o aluno e, se possível, imbecilizar o futuro
adulto, não abrem espaço para o essencial na educação” (D’AMBRÓSIO,
1994, p.14). Se torna explicável que esta forma de ensino de Física predo-
minou nos anos dos governos militares e ainda está presente em escolas
que não pretendem ser libertárias, o que produz uma falsa idéia do que
realmente seja a Física. “Transformar a experiência educativa em puro trei-
namento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano
no exercício educativo: o seu caráter formador” (FREIRE, 2000, p. 37). Diante
desta prática docente, resta ao aluno obedecer aos desígnios das fórmulas,
calcular o que foi pedido (ordenado?) e apresentar resultados emmuito des-
conectados com a sua realidade.
Quando o saudoso físico americano Richard Feynman visitou o Brasil, ele
teve um contato com estudantes da cidade do Rio de Janeiro. Feynman
ficou impressionado com a excelente capacidade que os alunos tinham de
resolver problemas numéricos de Física. No entanto, ao serem indagados a
respeito de fenômenos físicos cotidianos, os mesmos alunos não consegui-
ram estabelecer conexões entre as fórmulas matemáticas que sabiam de
cor e o seu dia a dia. Havia, sem dúvida alguma, algo errado.
1.3 – Os conceitos é que mandam
A concepção conceitual, por sua vez, se pauta em habilidades cognitivas
que vão além da mera aplicação. Não se trata de negar a importância da
Matemática ao desenvolvimento da Física. Ao contrário, quer-se ressignificar
o seu raio de ação. Ou, como nos dizia o professor Pierre Lucie:
“Fujo, tanto quanto possível, do formalismo matemático... Cada dia mais.
Não por teimosia idiota. Por convicção. Esclareço: não sou contra a mate-
mática na Física. Seria tão imbecil como ser contra o tear mecânico na te-
celagem. Conheço bastante a Física para saber que o formalismo matemá-
tico é uma linguagem, uma ferramenta indispensável. Mas cujo domínio
deve suceder, e não anteceder, a percepção” (LUCIE, http://www.cen.g12.br/
f2g/jornal/vol_01_n04/jornal0104.htm, 20/03/2000).
No campo da análise de conceitos, leis, hipóteses e de todas as relações
decorrentes, a construção dos conhecimentos deve ser feita mediante um
diálogo constante entre todos os atores da prática educativa. Essa concep-
ção de ensino entende o professor como mediador entre os vários sabe-
res estabelecidos, cada qual com suas particularidades, fundamentações e
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