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AULA DE FÍSICA
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Do Planejamento à Avaliação
relações mantidas com todos os envolvidos no processo educativo e coe-
rente em suas atitudes.
Há várias concepções de ensino de Física em qualquer nível educacional.
No entanto, podemos dicotomizá-las em conceitual e matematizada. Ape-
sar de tal polarização representar uma simplificação da realidade, não se
perde em precisão quanto aos objetivos básicos dos projetos de ensino de
Física.
A linha conceitual quer trabalhar, fundamentalmente, a compreensão de fe-
nômenos físicos através da discussão, do debate e do enfrentamento de po-
sições. Nela, acredita-se que a utilização de fórmulas matemáticas pode au-
xiliar a quantificação dos fenômenos, mas que só deve ser utilizada a partir
do momento em que os alunos compreenderem os conceitos envolvidos.
Já a concepção matematizada dá grande ênfase às equações que per-
meiam a Física. Assim, o mais importante, nessa concepção, é a memoriza-
ção de leis e fórmulas para a posterior aplicação na resolução de problemas.
Imagina-se a Física como um conjunto de conceitos prontos que devem ser
transmitidos aos alunos.
1.2 – A supremacia das equações
A utilização de um ensino de Física matematizado, em que as equações têm
supremacia sobre os conceitos, desempenhou o seu papel em escolas pau-
tadas pela repetição mecânica de conhecimentos, em que o professor era
tido como o retentor das verdades científicas e o aluno era concebido como
mero receptor do conhecimento Físico estabelecido.
Ao longo dos anos 60 e 70, por exemplo, as competências maiores de um
aluno no campo da Física estavam relacionadas à resolução de problemas
numéricos em que a dificuldade não estava centrada no conceito Físico e,
sim, nas relações matemáticas exigidas, nas operações efetuadas e na cria-
tividade (?) em desenvolver expressões algébricas para atingir resultados.
Estas competências, ao serem desenvolvidas, propiciavam a criação de uma
mentalidade pragmática em relação à Ciência que, até hoje, percebemos ser
muito forte por parte de alguns alunos e de suas famílias.
Além disso, a simples manipulação de equações sem o questionar/dialogar
com a teoria Física associada não abre espaço para discussões mais elabora-
das, não oportuniza o exercício da argumentação. Pelo contrário, “em nome
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