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O ensino das Ciências Naturais deve ser feito em plena conexão com toda
essa dimensão sóciopolítica, pois a capacitação técnica é indissociável do
desenvolvimento da sensibilidade de se aplicar ou não uma determinada
tecnologia que, de alguma forma, pode ser nociva à natureza
“Há concordância de que grandes momentos de progresso científico e tec-
nológico estão associados ao esforço de guerra. E quem são os estrategis-
tas militares, os especialistas em criptografia responsáveis pela inteligência,
os criadores de bombas e de bombardeiros? São os nossos ex-alunos em
modelagem, em teoria dos jogos e probabilidades, em teorias dos núme-
ros e em lógica, em física matemática. Em essência, são indivíduos que
de nós aprenderam Ciências e Matemática, mas, ao que parece de nós,
aprenderam nada de ética, de moral, de humanidade, de fraternidade”
(D’AMBROSIO, 1994, p.12).
No entanto, vivemos em uma sociedade
light
, em que tudo é relativizado, o
homem é hedonista e seus anseios são guiados pela mídia. Nesse contexto,
a escola desempenha um papel fundamental, o de ser um local onde se de-
senvolve a formação humanista e integral das pessoas. Dessa forma, a linha
de conduta de um verdadeiro educador deve ser calcada no estreitamento
de relações com o aluno, criando um “pacto” de mútua cooperação. A ma-
neira através da qual o aluno vê (em todas as suas dimensões) o professor é
consequência direta da maneira como o processo educativo é conduzido.
Uma conduta ética do professor desperta a confiança do aluno. E, como nos
ensina o educador Paulo Freire:
“Não há pensar certo fora de uma prática testemunhal que o re-diz em lu-
gar de desdizê-lo. Não é possível ao professor pensar que pensa certo, mas
ao mesmo tempo perguntar ao aluno se sabe com quem está falando”
(FREIRE, 2000, p.38).
O ensino de Física, em particular, deve permitir que os alunos, através de
atividades propostas durante as aulas, tenham acesso a conceitos, leis, mo-
delos e teorias que expliquem satisfatoriamente o mundo em que vivem,
permitindo-lhes entender questões fundamentais como a disponibilidade
de recursos naturais e os riscos de se utilizar uma determinada tecnologia
que poderia ser nociva a algum ecossistema. O trabalho crítico do professor
deve auxiliar o aluno a construir uma mentalidade também crítica, questio-
nadora, transgressora. Em uma palavra: libertária. Além de crer na impor-
tância de seu trabalho como educador, o professor deve pautar toda a sua
prática em uma discussão consistente a respeito da realidade, ser ético nas
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