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gresso da racionalidade de uma maneira obscura e indireta, porque surge
no âmago do inconsciente coletivo”. Portanto, o ensino de ciências deve
fomentar situações nas quais esses obstáculos possam ser identificados e
problematizados com os estudantes.
Concordamos com Vosniadou (1994), Hestenes (1996) e Grega e Moreira
(2002) quando eles postulam a existência de pressupostos pessoais mais re-
sistentes às mudanças que podem obstruir a evolução conceitual do sujeito.
Em geral, os estudantes se prendem aos fenômenos observáveis para pro-
duzir modelos explicativos acerca dos fenômenos físicos. É comum, por
exemplo, a crença de que as partículas da matéria somente se movem
enquanto houver uma fonte térmica que forneça energia para elas. Do
contrário, tais partículas tendem ao repouso, que é caracterizado por uma
temperatura baixa. É possível que essa crença esteja em consonância com
a teoria de base que afirma ser necessária a ação de uma força para manter
o movimento.
Em geral, a transposição das características observáveis dos objetos macros-
cópicos para as partículas da matéria é comum na forma normal de pensa-
mento dos sujeitos. Para eles, assim como uma bola pára após ser lançada
em um campo de futebol, uma partícula deve ir, lentamente, ao repouso,
o que não acontecerá somente se houver uma força (no caso, a energia
térmica) agindo sobre elas. Apesar de não ser possível a apresentação de
experimentos nos quais o movimento constante das partículas é diretamen-
te observado, podemos dispor de situações nas quais há evidências de tal
movimento como, por exemplo, o movimento browniano.
Para que se possa verificar a evolução temporal dos modelos explicativos
dos sujeitos, é necessária a construção de uma sequência de atividades de
ensino que seja orientada para a superação das dificuldades apresentadas
pelos estudantes e que esteja em consonância com quadro conceitual dos
fenômenos térmicos. Essa sequência deve permitir:
1. a discussão dos aspectos teóricos e empíricos da ciência, para que o su-
jeito possa testar seus modelos por meio da comparação entre resultados
esperados pelos seus modelos explicativos e os que são obtidos por meio de
experimentos e pela comparação entre a sua forma de pensar e as concep-
ções científicas;
2. a existência de momentos de interação entre os estudantes para debates
e construções coletivas e de atividades individuais, criando-se umambiente
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