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AULA DE FÍSICA
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Do Planejamento à Avaliação
tes para interpretar a aprendizagem escolar em ciências. Para os autores, os
invariantes operatórios, que são os conhecimentos contidos nos esquemas,
“dirigem a busca da informação pertinente para a detecção de metas e das
regras adequadas à ação e são indispensáveis à articulação entre teoria e
prática” (GREGA e MOREIRA, 2002). Segundo eles, os pressupostos pessoais
mais fundamentais do sujeito acerca do funcionamento do mundo físico (o
que se aproxima das “teorias de base”), ou seja, as concepções mais arrai-
gadas no sujeito, são os núcleos dos modelos mentais que os estudantes
geram para explicação e predição de situações concretas e para a compre-
ensão dos conceitos físicos. Assim, o processo de aquisição de conhecimen-
to se dá a partir de sucessivas construções e reelaborações dos modelos
mentais dentro de uma mesma classe de modelos. Se a informação à qual
o estudante deve dar significado não lhe permitir a construção de modelos
mentais adequados, não haverá a construção de tais modelos e a informa-
ção será memorizada na forma de proposições não significativas.
Um estudante que utilize um modelo explicativo de acordo com o qual a
força mantém o movimento pode concluir que a intensidade da força é pro-
porcional à velocidade e, com isso, a enunciar a segunda lei de Newton
como sendo “força = massa x velocidade”. A partir desse modelo, o estudan-
te efetua previsões sobre o resultado de colisões entre objetos de massas
muito diferentes. Para ele, o objeto de menor massa deve aplicar uma força
de menor intensidade, enquanto que o de maior massa deve aplicar uma
força mais intensa, o que é reforçado pelos observáveis, uma vez que, após
uma colisão, o objeto de maior massa adquire uma velocidade de menor
intensidade do que o de menor massa. Uma atividade de ensino que seja
por demais centrada na transmissão de conhecimentos encontrará dificul-
dades para modificar essa “teoria de base” dos sujeitos. A diversificação de
atividades de ensino, com a possibilidade da aplicação dos modelos men-
tais gerados em diversas situações, pode contribuir para a superação dessa
“teoria de base” e a construção de ummodelo explicativo mais próximo dos
modelos conceituais da mecânica.
Os pressupostos mais fundamentais são pessoais e representam a base do
pensamento dos estudantes (se constituindo, então, em modelos pessoais
de funcionamento do mundo). Eles podem, assim, se contrapor aos concei-
tos apresentados durante o processo de ensino, se constituindo em obstá-
culos epistemológicos ao aprendizado (BACHELARD, 1996). Essa oposição
nem sempre é posta à mostra em um processo de investigação, por repre-
sentar uma atividade interna ao sujeito. Sobre esse fato, ASTOLFI e DEVELAY
(1991) afirmam que “esses obstáculos constituem o que se opõe ao pro-
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