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professores e estudantes. Uma iniciativa que merece destaque é a do Gru-
po de Reelaboração do Ensino de Física (GREF), grupo de pesquisa ligado à
Universidade de São Paulo (USP), que tem a sua linha de atuação calcada na
teoria de Paulo Freire. O GREF tem feito, nos últimos anos, uma releitura dos
conteúdos e dos métodos de ensino do Ensino Médio, criando formas origi-
nais de trabalho em sala de aula e capacitando professores da rede pública.
2. Como andamos?
O
s pesquisadores da área de ensino de ciências conseguiram iden-
tificar, ao longo dos últimos anos, as concepções alternativas que
fazem parte do pensamento dos sujeitos antes de serem submeti-
dos às situações de ensino e em resposta ao ensino formal. Também se tem
como razoavelmente estabelecido os modelos científicos que compõem
os diversos tópicos de conteúdo escolares. No entanto, não temos respos-
tas definitivas acerca da maneira como evoluem as aprendizagens dos es-
tudantes que são submetidos a uma atividade de ensino.
As rotas de construção de conhecimento dos alunos não são padronizadas,
o que significa dizer que cada estudante percorre um caminho pessoal e
distinto ao longo de uma atividade de intervenção didática. Os compromis-
sos com a própria aprendizagem, as concepções alternativas, os estilos de
aprendizagem e as motivações pessoais guiam um dado sujeito enquanto
estiver submetido ao processo de ensino. Isso tem profundas implicações
para o ensino, que vão desde o estabelecimento de diferentes ritmos e pro-
cessos de aprendizagem dos estudantes até a definição do nível de profun-
didade no tratamento dos conteúdos de ensino.
Toda essa diversidade que se manifesta em sala de aula possui um cará-
ter dual: impede o estabelecimento de um padrão para a condução das
atividades de ensino e, ao mesmo tempo, oferece um solo rico para que a
diversificação de estratégias encontre eco nas expectativas dos estudantes.
Uma atividade de ensino que pretenda contribuir para que os estudantes
obtenham uma aprendizagem significativa e duradoura deve permitir que
os mesmos reconheçam as novidades (e o maior poder explicativo e gene-
ralizante) que os conceitos e modelos científicos apresentam em relação
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