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AULA DE FÍSICA
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Do Planejamento à Avaliação
de significado por parte dos estudantes. Nesse contexto, SILVA afirma que:
“a nova postura [do professor], revestida de uma prática dialética , deve
ser capaz de estabelecer conexões entre o conhecimento que será objeti-
vamente ensinado e as condições endógenas através da qual o aluno vai
construir sua aprendizagem.” (SILVA, 1995, p.59)
A utilização de
sequências de ensino
, construídas com base nos resul-
tados de pesquisas na área de ensino de ciências pode se constituir em
“uma importante ferramenta para que os educadores da atualidade possam
aperfeiçoar o aprendizado dos alunos em alguns conceitos específicos”
(LEACH
e SCOTT, 2002, p.1). Assim, podemos planejar situações de ensino de forma
a melhorar (1) a aquisição de novos saberes por parte dos aprendizes, (2) a
construção de relações entre os conceitos de cada disciplina escolar e (3) o
desenvolvimento de habilidades cognitivas para a extrapolação dos saberes
aprendidos na Escola. Dessa forma, a análise da evolução das representa-
ções dos estudantes ao longo da sequência aplicada pode revelar as tra-
jetórias de aprendizagem e apontar pistas para o desenho de intervenções
em sala de aula que respondam melhor às necessidades dos aprendizes.
Essas trajetórias reveladas pelos estudantes, segundo CLEMENT (2000), se
consubstanciam em um processo com diversas etapas (chamadas de mo-
delos intermediários) que conduzem das concepções prévias dos estudan-
tes até ao modelo alvo (que representa o conhecimento que se pretende
ensinar). O processo de aprendizagem indicado possibilita que cada aluno
trilhe uma trajetória pessoal de significação rumo ao modelo-alvo, uma vez
que as concepções alternativas e as formas de raciocínio diferem entre os
estudantes e influenciam fortemente em seu aprendizado. Assim, CLEMENT
2. O termo “prática dialética”, tal como entendido pelo autor, está relacionado com ins-
tauração e a manutenção de uma atitude de constante diálogo entre os estudantes e
entre o professor e a classe.
3. A ideia de representação está relacionada com o fato de que a aprendizagem “vem in-
terferir com um já-existente conceitual que, ainda que falso no plano científico, serve de
sistema de explicação eficaz e funcional para o docente”. (ASTOLFI e DEVELAY, 1991, p.35)
4. Concepções prévias ou alternativas são os modelos pessoais construídos pelos sujeitos
como resultado das interações com os objetos do conhecimento e com os pares. Essas
concepções podem ser conflitantes com os conceitos estabelecidos pela ciência ou estar
em consonância com os modelos científicos.
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