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AULA DE FÍSICA
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Do Planejamento à Avaliação
1.5 – ... que dir-te-ei quem és!
Apesar de versarem sobre o mesmo assunto e possuírem a mesma natureza
de processo seletivo, os itens mostrados são radicalmente diferentes em sua
concepção básica. Os pressupostos que levaram à construção dos itens são
distintos e, por isso, pode-se concluir que o tipo de aluno que as universida-
des estão procurando são diferentes.
VEJAMOS:
O item da Universidade A se mostra totalmente desconectado da realidade,
sendo um mero exercício de substituição em uma fórmula matemática dos
dados fornecidos diretamente ou através de um gráfico. É muito pequena
a contribuição que o item pode dar para que sejam construídos conceitos
contextualizados a respeito da Indução Eletromagnética. Além disso, a pos-
sibilidade de discussão em torno da problemática apresentada é restrita.
Deve-se seguir a sequência de passos apresentados na resolução para ser
alcançada a resposta correta.
Já o item da Universidade B apresenta uma situação concreta e que se colo-
ca conectada a um contexto ambiental e social. A questão energética é um
problema atual que desperta discussões acaloradas a respeito da utilização
racional dos recursos naturais disponíveis. Além disso, o item revela em seu
enunciado que a prática do “gato” é ilegal e perigosa, explicitando certos
juízos de valor. Um professor de Física pode se valer desse item em suas au-
las para, além de discutir o que é a Lei de Faraday e quais as suas principais
aplicações, conduzir uma discussão com os alunos em relação aos motivos
que levam uma pessoa a fazer o “gato” e se são somente as pessoas de bai-
xa renda que fazem o “gato”. A questão ainda pode servir como elemento
detonador de trabalhos interdisciplinares (englobando a Biologia, a Filosofia
e a Sociologia, por exemplo). Podem ser visitados os locais em que a prática
do gato é explícita (nas favelas, por exemplo) e se problematizar as con-
dições de vida, o tipo de alimentação, as necessidades e as contradições
presentes no cotidiano das pessoas que lá residem.
Não se está defendendo a maior relevância do item da Universidade B pelo
simples fato de que não foi necessária a utilização de uma fórmula mate-
mática para resolvê-la. O mais importante é identificar o tipo e o nível da
cobrança que está sendo feita. O candidato que tenha conseguido resolver
corretamente o item da Universidade A não terá construído, necessariamen-
te, o conceito de indução eletromagnética. Nem é necessário que ele tenha,
pelo menos, uma noção do que significa gerar uma força eletromotriz de
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